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quinta-feira, 20 de setembro de 2018

Fiat lux! _ Estu lumo!



“Assim resplandeça a vossa luz.”(Mateus 5:16)  


Fiat lux!  

Herdeiros da Luz,
eis-nos, porém, felizes  
a dançar no escuro
da nossa imaturidade.

Somos gulosos da sombra
vaidosa dos aplausos,
a alimentar a fama
que nos engana e passa.

Carece iluminar-se
a alma entorpecida,
enquanto é tempo, pois
só a luz é incorruptível!

"Tiel same via lumo lumu.” (Mateo: 5:16)

Estu lumo!

Heredantoj de l’ Lumo,
jen ni  feliĉaj, tamen,
dancantaj en la mallumo
de nia malsaĝeco.

Ni avidas je l’ ombro
vanta de l’ aplaŭdoj
nutranta la  famon,
kiu nin trompas,
kaj forpasas.

Lumiĝi bezonas
la senmova animo,
dum estas tempo:
ĉar nur la lumo
ne korupteblas!

Maria Nazaré Laroca
Juiz de Fora, 20/09/2018.


quarta-feira, 12 de setembro de 2018

Inverno _ Vintro



Inverno


A dor congelou o meu setembro
tão cor-de-rosa outrora...
Dias sem cor lamentam-se
e escorrem pela vidraça,
que me permite olhar
a praça, distante agora,
como um filme em preto-e-branco.

Mas o anjo da esperança,
pelas páginas do Evangelho,
em resposta a lágrimas e preces,
complacente cantou-nos aos ouvidos:
-Rejubila-te, querida!
Não tarda a primavera!

Vintro


La doloro frostigis
mian  septembron
iam tiel rozkoloran...  


Senkoloraj tagoj lamentas,
kaj fluas tra l’ fenestro,
kiu min rigardi permesas 
la nun malproksiman placon,
kiel nigra-blankan filmon.

Sed l’ anĝelo de l’ espero,
el la paĝoj de l’ Evangelio,
responde al larmoj kaj preĝoj,
indulgema kantis al oreloj niaj:
"Ĝojegu, karulino!"
Ne malfruos printempo!

Maria Nazaré Laroca

Juiz de Fora, 12/09/2018.

domingo, 19 de agosto de 2018

Morada _ Loĝejo




Morada

Habito um pequeno corpo
que tem um peso
e uma  medida  certa
para embarcar no tempo
e esculpir meu espaço no mundo.

Máquina que mantenho com cuidado
para funcionar sem erro;
lâmpada que acendo com prazer
para gerar felicidade.

Eu tenho um pequeno corpo
de água e sal, de sangue e sol;
litúrgica veste, fruto telúrico
que se descasca um dia
para adubar o útero da terra,
e  libertar-me para a Vida.



Loĝejo

Mi loĝas en  eta korpo,
kiu havas taŭgan pezon,      
kaj  konvenan mezuron  
por enŝipiĝi en tempo,
kaj skulpti mian spacon    
en ĉi tiu mondo.                 

Maŝin’, pri kiu mi zorgas  
cele al ties ĝusta rolo;
lamp’, kiun mi lumigas ĝue
por naski la fortunon.   

Mi havas etan korpon
el akv’ kaj sal’, el sang’ kaj sun’;
liturgia vest’, frukt’ tera,
kiu senŝeliĝos iam 
por la teruteron sterki,
kaj liberigi min al Vivo.   

Maria Nazaré Laroca
Juiz de Fora, 19/08/2018. 




terça-feira, 14 de agosto de 2018

O quarto _ La ĉambro





O quarto   
                                                                
Estou sentado em um barco azul, pairando sob um céu amarelo: meu pequeno quarto. Ele me aquece e anseia pela volúpia amorosa da coberta escarlate. No entanto, a esperança, inutilmente verde, não abre a janela.
Duas cadeiras vazias conversam em voz baixa. As imagens estão ansiosas para saltar das paredes e despedaçar-se na incerteza do chão. Apenas o sábio espelho compreende a solidão dos travesseiros.
As horas me entediam como moscas. Quem sou eu? Um poeta louco, cujos versos ninguém lê? Um pintor com um brilho incompreendido no olhar? Por que estou aqui? Aonde eu vou? Termine minha história ...

La ĉambro

Mi sidas en blua boato ŝvebanta sub flava ĉielo: jen mia eta dormoĉambro. Ĝi varmigas min, kaj sopiras la aman volupton de la skarlata kovrilo. Tamen espero ne malfermas la fenestron senutile verda.
Du malplenaj seĝoj interparolas silente. Bildoj avide emas eksalti de la muroj kaj disfrakasiĝi sur la malcerteco de la planko. Nur la saĝa spegulo komprenas la solecon de la kapkusenoj.

La horoj min enuigas, kiel muŝoj. Kiu mi estas? Ĉu freneza poeto, kies versojn neniu legas? Ĉu pentristo kun malkomprenita brilo en la okuloj? Kial mi estas ĉi tie? Kien mi iros? Finu vi mian rakonton...

Maria Nazaré Laroca
Juiz de Fora, 14/08/2018.

domingo, 12 de agosto de 2018

O morcego _ La vesperto


O morcego

Depois de séculos, o morcego volta a Coimbra.
Logo que ele entrou na universidade, um estranho sentimento apertou-lhe o coração. De repente começou a chorar de tristeza. Será que a amada biblioteca o reconheceria?
Creia-me, amável leitor, até mesmo fantasmas de morcegos sofrem por amor!

  
La vesperto

Post jarcentoj la vesperto revenas Koimbron. 
Tuj  kiam ĝi eniras en la universitaton, stranga sento ekpremis ĝian koron. Neatendite la okuloj malĝoje eklarmis. Ĉu la amata biblioteko rememorus ĝin? 
Kredu min, leganto aminda, eĉ fantomaj vespertoj spertas amsuferojn!

Maria Nazaré Laroca
103-a UK - Lisbono, la 1-a de aŭgusto 2018.


sábado, 23 de junho de 2018

Simplicidade _ Simpleco



Simplicidade

O poeta pastoreia gotas de sol
nesta manhã de inverno,
e vai tangendo ideias rebeldes
à procura de sentimentos.

Então Deus o surpreende
na grandeza de minúsculas
florezinhas brancas
a bordar o pó  indiferente
da calçada esquecida.



Simpleco

La poeto paŝtas sungutojn
en ĉi vintra mateno,
kaj pelas ribelemajn ideojn
sentojn serĉantajn.

Tiam lin surprizas Dio
per la nobleco de etetaj
floretoj blankaj,
kiuj ornamas la polvon
indiferentan de l’ forlasita
trotuaro.

Maria Nazaré Laroca
Juiz de Fora, 23/06/2018.

terça-feira, 19 de junho de 2018

Interlúdio _ Interludo




Interlúdio

Sopro de silêncio,
música de nuvem; 
aquieta-se a alma:
alegria plena.


Interludo


Blov’ el silent’,
nubmuziko;
anim’ ĝojplena
kvietiĝas.


Maria Nazaré Laroca
Juiz de Fora, 19/06/2018.

quarta-feira, 13 de junho de 2018

Apressada _ Hastema





Apressada


Tenho mais pressa que o tempo. 
Ora (direis) que sandice!
Mas quero o ritmo do rio,   
que intrépido prossegue,
feliz, contornando as pedras
ilusórias do caminho.

E, nessa corrida vã,               
o relógio me ultrapassa...
Então refém do cansaço
de me atropelar, insana,
tento  fazer um poema;
todavia não consigo.


Hastema

Ja, mi hastas pli ol tempo.
Kia stultaĵ’! - oni diros.
Sed mi volas esti river’,                                    
kiu kuraĝe pluiras,
feliĉa, ĉirkaŭfluante
trompajn ŝtonojn de la vojo.

Kaj dum la vana kurado,
la horloĝo min transpasas...
Tiam ostaĝ’ de laceco
por irigi min, freneza,
mi provas verki poemon,
sed ankoraŭ mi fiaskas.

Maria Nazaré Laroca
Juiz de Fora, 13/06/2018

domingo, 20 de maio de 2018

Candeia _ Olea lampo







Candeia


 “Assim resplandeça a vossa luz.”(Mateus 5:16)  


Não sou: estou provisória.
Existo aqui e agora:
pontinho de luz precária
a viver na eternidade.

Lavrando eras de sonhos,
com a charrua da dor,
‘inda não aprendi com o amor
a acender a minha luz.




Olea lampo


"Tiel same via lumo lumu.” (Mateo: 5:16)



Mi ne estas: nur provizoras. 
Ĉi tie kaj nun mi ekzistas: 
punkteto  de lum’ malfortika, 
kiu  por eterne vivadas.

Plugante revajn eraojn,
per plugil’ el dolor’, mi
ne lernis de am’ ankoraŭ
mian lumon ekflamigi.

Maria Nazaré Laroca
Juiz de Fora, 20/05/2018.



sexta-feira, 18 de maio de 2018

Para Flávia _ Al Flávia


Para Flávia

Embora sem nenhum mérito, 
ganhei um prêmio de luz: 
sob o disfarce de filha, 
um anjo nasceu de mim
para ensinar-me a doçura
de amar a todos sem fim.

Al Flávia

Kvankam  sen ajna merito,
mi gajnis luman premion:
sub filina maskovest’,
mi naskis anĝelon tian
por instrui al mi  dolĉecon
por ĉiujn ami senfine.

Maria Nazaré Laroca
Juiz de Fora, 18/05/2018.

sábado, 12 de maio de 2018

Queria ter visto o sorriso no rosto de minha mãe _ Mi ŝatus esti vidinta patrinvizaĝan rideton




Queria ter visto o sorriso no rosto de minha mãe

“Não faças versos sobre acontecimentos”,
ensina o poeta Drummond.
Mas desobedeço ao vate
- ingênua mediocridade!

Cheguei ao mundo em maio,
lá no  século passado;
manhã de sinos em festa
porque era feriado.

“As afinidades, os aniversários, os incidentes pessoais não contam.”
- reclama o poeta Drummond...

Mas prossigo em teimosia,
como homenagem ao seu dia:
uma jovem operária
de olhos verdes e tristes,
por intermédio de Deus,
ganhou  uma menininha
que até hoje não cresceu.


Mi ŝatus esti vidinta patrinvizaĝan rideton 

“Ne faru versojn pri eventoj” –
instruas poet’ Drummond.
Sed al li mi malobeas
pro senvalora naiveco!

En la mondon mi venis maje,
en la pasinta jarcento;
feste en ĝoja mateno  
ĉar estis dum feritago.

 “Afinecoj, naskiĝtagoj, personaj okazaĵoj ne valoras.”
- plendas poeto Drummond...

Sed mi obstine daŭrigas,
omaĝe al patrintago:
junulino, laboristo,
kun verdaj okuloj tristaj,
pere de Dia  favoro,
malgrandan knabinon naskis,  
kaj ŝi ne kreskis ĝis nun.

Maria Nazaré Laroca
Juiz de Fora, 12/05/2018.

segunda-feira, 30 de abril de 2018

A palmeira incendiada _ La bruligita palmo




A palmeira incendiada

Ela crescera ali, na beira da calçada, e gostava de apreciar a vida intensa da praça e o movimento dos passantes e automóveis na rua. Discreta, sabia ouvir em silêncio as conversas dos passarinhos e vendedores de água de coco.
Mas não contava com a crueldade humana. Nessa madrugada, fora vítima de um incêndio criminoso e covarde. A praça amanheceu perplexa. No chão, as cinzas das folhas queimadas falavam de lágrimas de dor.


La bruligita palmo


Ĝi kreskis ĉe la rando de la trotuaro, kaj ŝatis ĝui la intensan vivon de la placo kaj la movadon de preterpasantoj kaj aŭtoj sur la strato. Diskrete, ĝi silente aŭskultis la konversaciojn de birdoj kaj vendistoj de kokosa akvo.
Sed ĝi ne kalkulis pri la homa kruelaĵo. Ĉi-nokte ĝi estis viktimo de krima kaj kovarda incendio. La placo vekiĝis konsternita. Sur la planko, la cindroj de bruligitaj folioj parolis pri dolorlarmoj.

Maria Nazaré Laroca
Juiz de Fora, 30/04/2018.

sexta-feira, 27 de abril de 2018

Vestimenta _ Vesto




Vestimenta


Corpo é roupa de viver

que se recebe ao nascer.

Milagre cotidiano -

trato dele com poesia:

pão que alimenta o sonho

e faz suportável o dia.


E nessa altura da vida,


venho dizer com orgulho

que ainda posso levar

meu corpo para passear,


Em horas plenas de luz,

quer na cidade ou no campo,

e dar-lhe então de beber

todo o mistério azul


dessas manhãs de outono.




Vesto


Korp’ estas vesto vivanta,

kiun oni denaske gajnas.

Jen ĉiutaga miraklo -

poezie pri ĝi mi zorgas:

pano, kiu nutras revon,

kaj igas tolerebla tagon.


En ĉi tiu punkt’ de’ l vivo,


fiere kaj ĝoje mi diras,

ke mi kapablas ankoraŭ

mian korpon promenigi,


Dum horoj plenaj de lumo,

ĉu en urb’ aŭ en kampar’,

mi deziras, ke ĝi trinku

la tutan misteron bluan


de ĉi matenoj aŭtunaj.


Maria Nazaré Laroca

Juiz de Fora, 27/04/2018.