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terça-feira, 1 de abril de 2014

Tempo _ Terura vetero




Tempo


Está feio lá fora.

A ciranda dos ratos nos telhados

cobiça a carne branca da lua

violentada pelo século XX.

 

Mas o poeta tem ouvido para ouvir

o rufar dos estômagos vazios

boiando na noite.

A dor perfura as entranhas do silêncio

e se transforma em sangue e sal

que devora os álbuns de família.

 

Está feio lá fora,

e as horas incomodam como moscas.

O poeta sente náuseas

de todos os discursos digestivos do mundo.

Entretanto, só ele sabe

que existe uma aurora amordaçada

no fundo de cada noite.



1º Lugar- (Júri Popular) “Primeiro concurso nacional de poesias Vinícius de Moraes - para servidor público.”  - Rio de Janeiro - 1984.
 
 
Terura vetero

 
Terura vetero ekstere!

Ratoj rondodancas sur tegmento

kaj avide rigardas

la blankan lunan karnon

perfortitan de la dudeka jarcento.

 

Sed la poeto povas aŭskulti

la tamburadon de malplenaj stomakoj,

flosantaj en la nokto.

Doloro boras la koron de l’ silento, kaj

transformiĝas en sangon kaj en salon,

kiu voras la famili-albumojn.

 

Terura vetero ekstere!

Kaj la horoj nin ĝenas, kiel muŝoj.

La poeton naŭzas

digestigaj diskursoj de la mondo.

 

Sed la poeto bone scias,

ke ekzistas aŭroro kun buŝumo

kaŝita en la fundo de la nokto.
 
 
 Unua premio (donita de La Popola juĝantaro) "Unua nacia poezikonkurso Vinícius de Moraes
- por publika servisto.“ - Rio de Ĵanejro - 1984.
 

Maria Nazaré de Carvalho Laroca
Rio de Janeiro, 1984.





 

5 comentários:

  1. Brave! Meritita premio! Kaj krome tre aktuala, ghis nun!

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  2. Bela poemo! "Entretanto, só ele sabe/ que existe uma aurora amordaçada/ no fundo de cada noite". E cantávamos: "Amanhã vai ser outro dia!"

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  3. Mi amegis la poezion. Gxi estas profunda, inteligenta, emocia! Grandan brakumon! Marly Freitas

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  4. "Entretanto, só ele sabe/ que existe uma aurora amordaçada/ no fundo de cada noite"... dizer mais o que? você já disse tudo, poeta!

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