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terça-feira, 31 de agosto de 2021

Perfume de infância _ Parfumo el infanaĝo

 



Perfume de infância


Dá muito gosto

de ver em agosto

o pé de manacá

no vizinho jardim,

tão orgulhoso

e tão simples!

 

E logo me faz lembrar

de outro pé de manacá

que me perfumou

a infância inteira,

ao som da canção

que assim dizia:

Lá detrás daquele morro

tem um pé de manacá,

nós vamo casá e vamo pra lá!

Cê quer? Cê quer?



Parfumo el infanaĝo

 

Kun granda plezuro

mi vidas aŭguste

la manaka’-arbon

en la najbara ĝardeno,

tiel fieran kaj simplan!

 

Kaj ĝi memorigas min

pri alia sama arbo,  

kiu parfumis al mi

la tutan infanaĝon

ĉe l’ kanto jena:

Trans tiu monteto

manaka’arb’ staras,

geedziĝu ni, kaj iru tien!

Ĉu vi? Ĉu vi? 


Maria Nazaré Laroca 

Juiz de Fora, 31/08/2021.

Brazilo


quarta-feira, 25 de agosto de 2021

Cores _ Koloroj

 



Cores

                                                 Para Mark Twain


Flama, centelha etérea,

Alma não tem cor!

canta o poeta Chico César.

 

Sentimos a mesma dor

quer na pele negra,

branca ou amarela!

 

Mas no mundo multicor,

a mesma felicidade

só encontramos no Amor.


Koloroj

                                                 Al Mark Twain

Flamo,  fajrer' etera’,

Anim' ne havas koloron!

kantas  poeto Chico César.

 

Ni sentas la saman doloron,

kaj kun nigra haŭto,

kaj blanka aŭ flava!

 

En ĉi tiu bunta mondo,

la saman feliĉon tamen

nur  per  Amo ni trovas.


Maria Nazaré Laroca

Juiz de Fora, 25/08/2021.

Brazilo


domingo, 22 de agosto de 2021

Volta _ Reveno

 


Volta


Nesta manhã de domingo,

aceitei o convite do céu,

lago suspenso de azul safirino,

e saí de casa sozinha.

 

Levei comigo a coragem

e uma bengala para

um passeio na praça

acolhedora sempre.

 

De vez em quando, parava

para admirar a poesia

das nervuras em cor

de uma folha seca no chão...

 

A arte existe

para que a realidade

não nos destrua,

afirmou Nietzsche.

 

A natureza existe

para que a minha

humanidade

se reconstrua.


Reveno


Ĉi-dimanĉe matene,

mi akceptis la inviton de l’ ĉielo,

safirblua ŝvebanta lago,

kaj foriris el  la hejmo sola.

 

Mi kunportis kuraĝon

kaj bastonon celante

promenon sur la placo

ĉiam bonveniga.

 

De tempo al tempo mi haltis

por admiri la poezion

de l’ koloraj nervuroj

de seka folio surgrunde ...

 

L’ arto ekzistas

por ke la realo

ne nin detruu,

tion diris Nietzsche.

 

La naturo ekzistas

por ke mia humaneco

sin rekonstruu.


Maria Nazaré Laroca

Juiz de Fora, 22/08/2021.

Brazilo 

quarta-feira, 18 de agosto de 2021

Semeadura _ Semado

 


Semeadura

 

Somos sementes de luz

que Deus plantou um dia

nos jardins da Eternidade.

Viver não dói, só precisamos

conviver com a dor de existir,

na fragilidade dos nossos limites.

 

Então me lembro com saudade

da ingênua canção escolar

que sempre me fazia chorar:

“pobre sementinha

com tanta alegria

vou deitar-te agora

sob a terra escura,

mas não te abandono,

virei todo dia

sobre o teu canteiro

deitar água fria...”

 

Como dói existir!


Semado

Ni estas semoj el lumo,

kiujn Dio iam plantis

en la ĝardenojn de l’ Eterneco.

Vivo ne doloras,

ni nur bezonas kunvivi

kun la ekzistdolor’

ĉe l’ malfortikeco

de niaj limoj.

 

Do mi memoras sopire

la naivan lernejan kanton,

kiu ĉiam plorigis min:

“semeto kompatinda,

kun tiom da ĝojo

mi ekplantos vin nun

en la malluman grundon,

sed mi ne vin forlasos,

mi ĉiutage venos

surverŝi sur vian bedon

per malvarma akvo... "

 

Kiel doloras ekzistado!


Maria Nazaré Laroca

Juiz de Fora. 18/08/2018.

Brazilo


terça-feira, 17 de agosto de 2021

VOZES DO ESPÍRITO _ VOĈOJ DE LA SPIRITO

 


VOZES DO ESPÍRITO

(Mensagem de O Espírito, psicografada por Francisco Cândido Xavier em 1981.)

Deus é meu Pai.

A Natureza é minha Mãe.

O Universo é meu Caminho.

A Eternidade é meu Reino.

A Imortalidade é minha Vida.

A Mente é meu Lar.

A Verdade é meu Culto.

O Amor é minha Lei.

A Forma em si minha Manifestação.

A Consciência é meu Guia.

A Paz é meu Abrigo.

A Experiência é minha Escola.

O Obstáculo é minha Lição.

A Dificuldade é meu Estímulo.

A Dor é meu Aviso.

A Luz é minha Realização.

O Trabalho é minha Bênção.

O Amigo é meu Companheiro.

O Adversário é meu Instrutor.

O Próximo é meu Irmão.

A Luta é minha Oportunidade.

O Passado é minha Advertência.

O Presente é minha Realidade.

O Futuro é minha Promessa.

O Equilíbrio é minha Atitude.

A Ordem é minha Senha.

A Beleza é meu Ideal.

A Perfeição é meu Destino.

       O Espírito


VOĈOJ DE LA SPIRITO

(Mesaĝo diktita de La Spirito al Francisco Cândido Xavier, en 1981.)

Dio estas mia Patro.

La Naturo estas mia Patrino.

L’ Universo estas mia Vojo.

L´Eterneco estas mia Regno.

La Senmorteco estas mia Vivo.

La Menso estas mia Hejmo.

La Vero estas mia Kulto.

L’ Amo estas mia Leĝo.

La Formo mem estas mia Manifestiĝo.

La Konscienco estas mia Gvidilo.

La Paco estas mia Ŝirmejo.

La Sperto estas mia Lernejo.

L’ Obstaklo estas mia Leciono.

La Malfacileco estas mia Stimulo.

La Doloro estas mia Avizo.

La Lumo estas mia Konkero.

La Laboro estas mia Beno.

L’ Amiko estas mia Kunulo.

La Kontraŭulo estas mia Instruisto.

La Proksimulo estas mia Frato.

La Batalo estas mia Ŝanco.

La Pasinteco estas mia Averto.

L’ Estanto estas mia Realaĵo.

L’ Estonteco estas mia Promeso.

L’ Ekvilibro estas mia Sinteno.

L’ Ordo estas mia Ŝlosilvorto.

La Beleco estas mia Idealo.

La Perfekteco estas mia Destino.

           La Spirito


quinta-feira, 12 de agosto de 2021

Lâmina _ Klingo

 

                                                                                                             

Lâmina

Só tenho agora

a lua nova:

sorriso em lâmina

de Mona Lisa

no crepúsculo

de ausências

doendo.


Klingo

Mi havas nun

nur la novlunon:

rideton klingan

de Mona Lisa

ĉe krepusko

de dolorantaj

forestoj.

 

Maria Nazaré Laroca

Juiz de Fora, 12/08/2021.

Brazilo


terça-feira, 10 de agosto de 2021

Sofisticada artesania

 

Esmo Poemas. Paulo Sergio Viana. 1 ed. Lorena -SP; Brasília: Agência Comunica, 2020.


Somente hoje, depois de cuidadosa releitura, tive coragem para tentar falar do livro de poesia que ganhei de presente do autor, poeta e amigo, Paulo Sergio Viana, em novembro de 2020.

Mesmo fechado sobre a mesinha de cabeceira, dava para ouvir a música dos poemas.

Era só abrir uma página a esmo, e o inefável encantamento acontecia. Eu podia ouvir o verde do silêncio dos pensamentos inapreensíveis em versos tecidos com esmero, esmeril de um Poeta que sabe polir as palavras, pedras preciosas, com reverência, delicadeza e alguma melancolia.

O verso está cansado de ser lido.

Deixa-o soar em voo

dentro de ti.

E lá se vão como pássaros boêmios poemas suaves, sonetos imponentes, trovas brejeiras, floridas aldravias...  Então a saudade de Lisboa nos revisita.

Mas tudo muito bem infiltrado de doce filosofia porque

a vida é uma estranha

ilusão chamada tempo.

O livro é Poesia toda inteira como os sonhos do Poeta.

Lá dentro o homem é um enigma.


Maria Nazaré Laroca

Juiz de Fora, 10/08/2021


sábado, 31 de julho de 2021

QUASE-RESENHA


 

QUASE-RESENHA

Maria Nazaré Laroca


(Percurso às avessas: Dorvalino semimorre. Paulo Pereira Nascentes: Guaratinguetá, SP: Penalux, 2021.)

Conto-novela-poema-o-que-fosse: mas que o é!  Inexplicável DNA!            

Apoteose dos sem-gênero literário!  Prepare-se o leitor para essa viagem sem volta!

Desaprenda! Desprograme-se!  Carnavalização da textualidade!     

Miolo narrativo tipo fio condutor dos poemas é que não.                                     

“Teu olhar descabelado

verticaliza

horizontes marinhos

Romance às avessas: metarromance em trânsito de poemas on the road...

Uma narrativa macunaímica, na corda bamba de acrobacias lexicais, semânticas: acontecências, traquinagens místico-eróticas de Dorvalino Mendes, ou Dorva, ou Lino!

Não vem para ludibriar o leitor incauto, mas ludi-brilhar com borbulhante turbilhão insone de ideias indisciplinadas.

É o romance do grande poeta Paulo Nascentes; são nascentes transbordantes de irreverência, humor, rebeldia, delírio.

Uma biblioteca de magia em tempo real: o novelo narrativo é turbulento. Narrativa em (des)construção, deslumbrando o leitor perplexo, preso no enredo desse universo paralelo: um videogame verbal costurado de filosofia na montanha russa do prazer inefável do subterrâneo das palavras, nos bastidores das metáforas e metonímias! Vertigem abissal da semiótica em delírio metapoético.

Eu também vivi o tempo da ditadura; difícil dar aula de literatura!

Tromba d’água, Poemance na voz do outro grande Paulo, o Sergio Viana.

Dançando com as palavras a música da epifania: imanência e transcendência;

reverência ao Sagrado Templo-Corpo. Poesia cósmica apesar da tortura.

Om! Namaste, Aurora interior! Apertou a tecla print do seu ser.

Borboleta encantada: Dorvalino somos todos nós!

 

 

 

 


sexta-feira, 9 de julho de 2021

CORAGEM _ KURAĜO



CORAGEM


Amanhã cedo farei nova cirurgia para retirada de um torturante parafuso 

dentro dos ossos do ombro direito. 

Vou atravessar meu Rubicão de dor. 

Alea jacta est !


KURAĜO

Morgaŭ frumatene mi submetiĝos al nova kirurgio por ke oni forigu

turmentan  ŝraŭbon ene de ostoj de l' dekstra ŝultro.

Mi transiros mian Rubikonon el doloro.

Alea jacta est !


Maria Nazaré Laroca 

Juiz de Fora, 09/07/2021.

Brazilo






quinta-feira, 10 de junho de 2021

Orvalho _ Roso


Orvalho

Ontem, sob uma tempestade de dor, dormi e sonhei que era menina, no sítio do meu tio Antenor, que me encantava com sua sabedoria tão natural como a terra que cultivava. E ele me ensinava a ver e a amar a beleza das coisas simples, dizendo com doçura:

- Nada é mais belo do que uma gota de orvalho numa folha de taioba.

Diamante líquido, penso agora.

Hoje a dor não acordou comigo.


Roso

Hieraŭ, sub tempesto da doloro, mi ekdormis, kaj sonĝis, ke mi estas knabino, en la bieno de mia onklo Antenor, kiu sorĉis min per sia saĝo tiel natura, kiel la tero, kiun li kultivis. Kaj li instruis min vidi kaj ami la belecon de simplaj aferoj, mildkore dirante:

- Nenio estas pli bela ol guto da roso sur ksantosoma folio.

Likva diamanto, nun mi ekpensas.

Hodiaŭ la doloro ne vekiĝis kun mi.  


Maria Nazaré Laroca

Juiz de Fora, 10/06/2021.
Brazilo


sábado, 29 de maio de 2021

Luta _ Lukto


 

É preciso amar, eu sei,

mas não é fácil porque

o Amor tem muitas arestas

que a Dor tem que aplainar:

espinhos de rosa em pétalas

de sonhos a perfumar

o caminho ascensional

da plena felicidade.



Lukto


Ami necesas, mi scias,

sed  facila tio ne estas,

ĉar Amo eĝojn posedas

kiujn Dolor' devas forigi:

dornojn de petalaj rozoj

el  revoj, kiuj parfumas

la vivvojon ascendantan 

de l'  tute plena feliĉo.


Maria Nazaré Laroca
Juiz de Fora, 29/05/2021.
Brazilo








sábado, 15 de maio de 2021

Poema para Suely Schubert

 


Ouvindo Schubert agora,

“Piano trio”, um e dois,

no meu quarto em Juiz de Fora, 

lembrei-me que você se foi

neste maio congelado,

e senti muita saudade!


Ah, Suely, como eu queria 

compor uma sinfonia 

para falar de você 

só um pouquinho dessa vez!

Porque meu poema é pobre 

para espelhar sua luz,

tecida de amor e obras

a serviço de Jesus.


Sei que prossegue com o lema:

“Ama, trabalha, espera, perdoa”,

pois seu voo é ascensional...

Mas agora é tempo de festa:

sorva a taça da alegria 

com seus Amigos no Céu!


Maria Nazaré Laroca

Juiz de Fora, 15/05/2021.



quinta-feira, 8 de abril de 2021

Odisseu na Pauliceia; julho de 2012.

 


Odisseu na Pauliceia; julho de 2012

Há dez anos, Odisseu Ulisses perambula pelas ruas de São Paulo. Seu retorno ao paraíso natal, na Bahia de todos os santos e deuses, é cada vez mais improvável. Itacaré foi a cidade que abandonara sob a fúria dos orixás; exceto a de Iemanjá - mãe de todas as forças da natureza, rainha das águas salgadas – sua deusa protetora.

Odisseu é também filho de Obaluaê: oba (rei) - oluwô (senhor) - ayiê (terra), isto é, “rei, senhor da Terra”. Este é o caçador, lutador, que foi criado por Iemanjá. Daí a relação de carinho entre o guerreiro Odisseu Ulisses e Iemanjá: Divindade de olhos glaucos como as ondas do mar de sua terra.

Odisseu Ulisses da Silva. Poeta sem idade, professor de literatura, que prefere ser chamado só de Ulisses pelos frequentadores de um bar da Rua Augusta, onde faz um extra como garçom, na noite paulistana. Olhar perdido, afável de gestos e palavras, cabelos desarrumados sobre um sorriso que ilumina o rosto barbudo.

Era poeta, no entanto, jamais conseguira publicar seu livro de poesia, grosso caderno que carregava na mochila para rabiscar versos dentro do metrô. Lá dentro, o mundo se resumia a uma avalanche de pernas e mãos e olhos cravados nas telinhas dos celulares.

Ele era mais um invisível na multidão enlouquecida. Por isso preferia as imagens das palavras que criava ao sabor de sua vontade. Prazer inenarrável de degustá-las, ah...fazia amor com as palavras...Tinha orgasmos metafóricos. Beijava a semântica de lábios, sem cobrança; acariciava o significante seios oferecidos, em volúpia lexical. E gestava poemas suburbanos em secreta alegria.

Gostava de reler os versos de Nietszsche sobre a felicidade. Não acredito no eterno retorno, assobiava quase feliz:

“Desde que me cansei de procurar, aprendi a encontrar; desde que o vento começou a soprar-me na face, velejo com todos os ventos.”

Um dia, Ulisses sonhou com a mãe. Ela o acusava de tê-la abandonado; morrera de saudade e tristeza. Os dois caminharam em silêncio por veredas sombrias e vales pavimentados de lama, naquela espécie de purgatório. Ulisses acordou tarde de manhã, com o sol lambendo-lhe os olhos e o coração; chorava de remorso e culpa.

Era culpa de Obaluaê, que orquestrava seu cotidiano; regente de suas dores. Nesse dia, andou   lembrar-se da juventude, do tempo quando também descera ao Hades dos porões da ditadura, quando fora preso e torturado por fazer parte de um grupo literário de esquerda: ele e os companheiros reverenciavam o filósofo húngaro Georg LuKács e estudavam o seu livro Introdução a uma estética marxista como a uma bíblia. Quanta discussão amiga em torno dos conceitos de arte, política e literatura, naquelas tardes cinzentas! Tudo devidamente incensado pela fumaça do elegante cachimbo do líder do grupo.

E o guerreiro Ulisses viajou submerso na clandestinidade. Voltavam-lhe as imagens em ondas negras a perseguirem seus passos: dos tempos de movimento estudantil no Rio de Janeiro, da passeata do Calabouço em 68, do assassinato daquele estudante, o Edson Luís... Como um filme, um carnaval em cascata fazia jorrar em mesclas o vivido, o transvivido e o imaginado: O Festival de Woodstock, a contracultura, a guerra do Vietnam, o tropicalismo, a bossa nova, o cinema novo, o irreverente jornal O Pasquim de toda semana...

Odisseu Ulisses tivera algumas uniões estáveis. E até um filho ele deixou em Itacaré, e a ele dera o nome de Telêmaco, mas nunca mais voltou lá para visitá-lo.

Seu pensamento dançava em torno de um nome musical: Helena, a musa impossível de sua poesia. Conheceram-se numa oficina literária na PUC. Ela sorriu para ele; trocaram palavras, e carícias e o mundo ganhou outra cor depois desse encontro. Mas um dia Helena ganhou uma bolsa de estudos e foi embora para Paris fazer pós-graduação em Semiótica. E então instaurou-se para ele o signo do vazio pleno de saudade.

Atualmente passava tardes inteiras em livrarias burguesas, dialogando com a poesia e a filosofia. Mas os livros ele só comprava nos sebos, claro! Vivia embriagado de leitura para poder suportar o tédio de enfrentar os bêbados das baladas paulistanas.

Mas Ulisses era filho de Obaluaê, a força da natureza que provoca doenças, se bem que também cura, por compaixão e misericórdia. E Odisseu Ulisses começou a delirar de tanta febre e desejo de compreender o seu estar-no-mundo. Com dificuldade, ele conseguiu subir a Rua Augusta e chegar à Av. Paulista. No cruzamento, não viu nada além do mar de Itacaré que inundava tudo. E um barco grego que se aproximava trazendo todos os seus heróis. No leme, Palas Atena disfarçada em Iemanjá. Ela, a amada deusa de olhos glaucos, aproximou-se, tomou-lhe as mãos, conduzindo-o até a embarcação.

E, pouco a pouco o barco se fez balão de sonho, foi subindo ao infinito, navegando na esteira do arco-íris até a estrela da utopia. Itacaré então se tornou Pasárgada.

 Maria Nazaré Laroca

 Juiz de Fora, 08/04/2021.


sexta-feira, 2 de abril de 2021

Reflexões na Sexta-feira Santa _ Primeditoj en la Sankta Vendredo

 


Reflexões na Sexta-feira Santa

 

Nesta Sexta-feira Santa, meu pensamento silencia em gratidão a Jesus, o Mestre divino.

Durante três anos vivenciou Sua Aula Magna.

Ofertou a lição, a merenda e o dever de casa.

Deixou-nos a prova nossa de cada dia:

“amai-vos uns aos outros como eu vos amei”.

Difícil equação, esse amor sem medida.

É preciso aprender a amar.

Quem aprende, compreende, ama.

Só quem ama, compreende.

Já temos todo o material pedagógico:

O método: eu sou o caminho.

O esclarecimento: eu sou a verdade.

O alimento: eu sou o pão da vida.

O amor: eu sou a luz do mundo.

A imortalidade: eu sou a ressurreição e a vida.

Ninguém vem ao Pai senão por mim.

E nós ainda não conseguimos passar de ano na escola da vida.

 

Primeditoj en la Sankta Vendredo

 

En ĉi tiu Sankta Vendredo, mia penso silentas dankeme al Jesuo, la dia Majstro.

Dum tri jaroj li travivis Sian Majstran Klason.

Li proponis  instruadon, nutraĵon kaj hejmtaskon.

Li lasis al ni la ĉiutagan teston:

"Vi amu unu la alian kiel Mi amis vin".

Malfacila ekvacio, ĉi tiu senmezura amo.

Ni lernu ami.

Tiu, kiu lernas, komprenas, amas.

Nur tiuj, kiuj amas, komprenas.

Ni jam havas la tutan pedagogian materialon:

La metodon: Mi estas la vojo.

La klarigon: Mi estas la vero.

La manĝaĵon: Mi estas la pano de vivo.

Amon: Mi estas la lumo de la mondo.

Senmortecon: Mi estas la reviviĝo kaj la vivo.

Neniu venas al la Patro krom per mi.

Kaj ni ankoraŭ ne sukcesis trapasi la teston en la vivlernejo.

 

Maria Nazaré Laroca

Juiz de Fora, 02/04/2021.

Brazilo