11/07/1981
casamento
Laroca
sobrenome
italiano
fortaleza
metonímia
geedziĝo
Laroca
italdevena
familinomo
fortikaĵo
metonimio
Maria Nazaré Laroca
Juiz de Fora, 15/09/2021.
11/07/1981
casamento
Laroca
sobrenome
italiano
fortaleza
metonímia
geedziĝo
Laroca
italdevena
familinomo
fortikaĵo
metonimio
Maria Nazaré Laroca
Juiz de Fora, 15/09/2021.
Penumbra
Gosto da sonoridade
de algumas palavras
como tertúlia, relicário,
madrugada, aurora…
Mas não sei ainda
o que fazer com elas…
Talvez um poema, um dia,
quando o perfume da poesia
de novo me visitar.
Duonlumo
Plaĉas al mi la bonsoneco
de
kelkaj vortoj tiel,
kiel
kunveno, sanktejo,
tagiĝo,
aŭroro ...
Sed mi
ne scias ankoraŭ
kion
fari per ili ...
Eble
poemon, iam,
kiam
la poeziparfumo
denove min vizitos.
Maria Nazaré Laroca
Juiz de Fora,
12/09/2021.
Brazilo
Perfume de infância
Dá muito gosto
de ver
em agosto
o pé
de manacá
no vizinho
jardim,
tão
orgulhoso
e tão
simples!
E logo
me faz lembrar
de outro
pé de manacá
que me
perfumou
a infância
inteira,
ao som
da canção
que assim
dizia:
Lá detrás daquele morro
tem um pé de manacá,
nós vamo casá e vamo pra lá!
Cê quer? Cê quer?
Parfumo el infanaĝo
Kun granda plezuro
mi vidas aŭguste
la manaka’-arbon
en la najbara ĝardeno,
tiel fieran kaj simplan!
Kaj ĝi memorigas min
pri alia sama arbo,
kiu parfumis al mi
la tutan infanaĝon
ĉe l’ kanto jena:
Trans tiu
monteto
manaka’arb’
staras,
geedziĝu
ni, kaj iru tien!
Ĉu vi?
Ĉu vi?
Maria Nazaré Laroca
Juiz de Fora, 31/08/2021.
Brazilo
Cores
Para
Mark Twain
Flama,
centelha etérea,
Alma não tem cor!
canta
o poeta Chico César.
Sentimos
a mesma dor
quer na
pele negra,
branca
ou amarela!
Mas no
mundo multicor,
a mesma
felicidade
só encontramos no Amor.
Koloroj
Al Mark Twain
Flamo, fajrer' etera’,
Anim' ne havas koloron!
kantas
poeto Chico César.
Ni
sentas la saman doloron,
kaj kun
nigra haŭto,
kaj blanka
aŭ flava!
En ĉi tiu
bunta mondo,
la
saman feliĉon tamen
nur per Amo
ni trovas.
Maria Nazaré Laroca
Juiz de Fora,
25/08/2021.
Brazilo
Volta
Nesta manhã de domingo,
aceitei o convite do céu,
lago suspenso de azul safirino,
e saí de casa sozinha.
Levei comigo a coragem
e uma bengala para
um passeio na praça
acolhedora sempre.
De vez em quando, parava
para admirar a poesia
das nervuras em cor
de uma folha seca no chão...
A arte existe
para que a realidade
não nos destrua,
afirmou Nietzsche.
A natureza existe
para que a minha
humanidade
se reconstrua.
Reveno
Ĉi-dimanĉe matene,
mi akceptis la inviton de l’ ĉielo,
safirblua ŝvebanta lago,
kaj foriris el la hejmo sola.
Mi kunportis kuraĝon
kaj bastonon celante
promenon sur la placo
ĉiam bonveniga.
De tempo al tempo mi haltis
por admiri la poezion
de l’ koloraj nervuroj
de seka folio surgrunde ...
L’ arto ekzistas
por ke la realo
ne nin detruu,
tion diris Nietzsche.
La naturo ekzistas
por ke mia humaneco
sin rekonstruu.
Maria Nazaré Laroca
Juiz de Fora, 22/08/2021.
Brazilo
Semeadura
Somos
sementes de luz
que
Deus plantou um dia
nos jardins da Eternidade.
Viver
não dói, só precisamos
conviver
com a dor de existir,
na
fragilidade dos nossos limites.
Então
me lembro com saudade
da
ingênua canção escolar
que
sempre me fazia chorar:
“pobre
sementinha
com tanta
alegria
vou
deitar-te agora
sob a
terra escura,
mas
não te abandono,
virei
todo dia
sobre
o teu canteiro
deitar
água fria...”
Como
dói existir!
Semado
Ni estas semoj el lumo,
kiujn Dio iam plantis
en la ĝardenojn de l’ Eterneco.
Vivo ne doloras,
ni nur bezonas kunvivi
kun la ekzistdolor’
ĉe l’ malfortikeco
de niaj limoj.
Do mi
memoras sopire
la naivan
lernejan kanton,
kiu
ĉiam plorigis min:
“semeto
kompatinda,
kun
tiom da ĝojo
mi ekplantos
vin nun
en la
malluman grundon,
sed mi
ne vin forlasos,
mi ĉiutage
venos
surverŝi sur vian bedon
per malvarma
akvo... "
Kiel
doloras ekzistado!
Maria Nazaré Laroca
Juiz de Fora.
18/08/2018.
Brazilo
VOZES DO ESPÍRITO
(Mensagem de O Espírito, psicografada por Francisco Cândido Xavier em 1981.)
Deus é meu Pai.
A Natureza é minha Mãe.
O Universo é meu Caminho.
A Eternidade é meu Reino.
A Imortalidade é minha Vida.
A Mente é meu Lar.
A Verdade é meu Culto.
O Amor é minha Lei.
A Forma em si minha Manifestação.
A Consciência é meu Guia.
A Paz é meu Abrigo.
A Experiência é minha Escola.
O Obstáculo é minha Lição.
A Dificuldade é meu Estímulo.
A Dor é meu Aviso.
A Luz é minha Realização.
O Trabalho é minha Bênção.
O Amigo é meu Companheiro.
O Adversário é meu Instrutor.
O Próximo é meu Irmão.
A Luta é minha Oportunidade.
O Passado é minha Advertência.
O Presente é minha Realidade.
O Futuro é minha Promessa.
O Equilíbrio é minha Atitude.
A Ordem é minha Senha.
A Beleza é meu Ideal.
A Perfeição é meu Destino.
O Espírito
VOĈOJ DE LA SPIRITO
(Mesaĝo diktita de La Spirito al Francisco Cândido Xavier, en 1981.)
Dio estas mia Patro.
La Naturo estas mia Patrino.
L’ Universo estas mia Vojo.
L´Eterneco estas mia Regno.
La Senmorteco estas mia Vivo.
La Menso estas mia Hejmo.
La Vero estas mia Kulto.
L’ Amo estas mia Leĝo.
La Formo mem estas mia Manifestiĝo.
La Konscienco estas mia Gvidilo.
La Paco estas mia Ŝirmejo.
La Sperto estas mia Lernejo.
L’ Obstaklo estas mia Leciono.
La Malfacileco estas mia Stimulo.
La Doloro estas mia Avizo.
La Lumo estas mia Konkero.
La Laboro estas mia Beno.
L’ Amiko estas mia Kunulo.
La Kontraŭulo estas mia Instruisto.
La Proksimulo estas mia Frato.
La Batalo estas mia Ŝanco.
La Pasinteco estas mia Averto.
L’ Estanto estas mia Realaĵo.
L’ Estonteco estas mia Promeso.
L’ Ekvilibro estas mia Sinteno.
L’ Ordo estas mia Ŝlosilvorto.
La Beleco estas mia Idealo.
La Perfekteco estas mia Destino.
La Spirito
Lâmina
Só tenho agora
a lua nova:
sorriso em lâmina
de Mona Lisa
no crepúsculo
de ausências
doendo.
Klingo
Mi havas nun
nur la novlunon:
rideton klingan
de Mona Lisa
ĉe krepusko
de dolorantaj
forestoj.
Maria
Nazaré Laroca
Juiz
de Fora, 12/08/2021.
Brazilo
Esmo Poemas. Paulo Sergio Viana. 1 ed. Lorena -SP; Brasília: Agência Comunica, 2020.
Somente hoje, depois de cuidadosa releitura, tive coragem para tentar falar do livro de poesia que ganhei de presente do autor, poeta e amigo, Paulo Sergio Viana, em novembro de 2020.
Mesmo
fechado sobre a mesinha de cabeceira, dava para ouvir a música dos poemas.
Era só
abrir uma página a esmo, e o inefável encantamento acontecia. Eu podia ouvir o
verde do silêncio dos pensamentos
inapreensíveis em versos tecidos com esmero, esmeril de um Poeta que sabe
polir as palavras, pedras preciosas, com reverência, delicadeza e alguma
melancolia.
O verso está cansado de ser lido.
Deixa-o soar em voo
dentro de ti.
E lá
se vão como pássaros boêmios poemas suaves, sonetos imponentes, trovas brejeiras,
floridas aldravias... Então a saudade de
Lisboa nos revisita.
Mas tudo
muito bem infiltrado de doce filosofia porque
a vida é uma estranha
ilusão chamada tempo.
O
livro é Poesia toda inteira como os sonhos do Poeta.
Lá dentro o homem é um enigma.
Maria Nazaré Laroca
Juiz de Fora, 10/08/2021
QUASE-RESENHA
Maria Nazaré Laroca
(Percurso às avessas: Dorvalino
semimorre. Paulo Pereira Nascentes: Guaratinguetá, SP: Penalux, 2021.)
Conto-novela-poema-o-que-fosse: mas que o é! Inexplicável DNA!
Apoteose dos sem-gênero
literário! Prepare-se o leitor para essa
viagem sem volta!
Desaprenda! Desprograme-se! Carnavalização da textualidade!
Miolo narrativo tipo fio condutor dos poemas é que não.
“Teu olhar descabelado
verticaliza
horizontes marinhos
Romance às avessas: metarromance
em trânsito de poemas on the road...
Uma narrativa macunaímica, na
corda bamba de acrobacias lexicais, semânticas: acontecências, traquinagens místico-eróticas
de Dorvalino Mendes, ou Dorva, ou Lino!
Não vem para ludibriar o leitor
incauto, mas ludi-brilhar com
borbulhante turbilhão insone de ideias
indisciplinadas.
É o romance do grande poeta
Paulo Nascentes; são nascentes transbordantes de irreverência, humor, rebeldia,
delírio.
Uma biblioteca de magia em tempo
real: o novelo narrativo é turbulento.
Narrativa em (des)construção, deslumbrando o leitor perplexo, preso no enredo
desse universo paralelo: um videogame verbal costurado de filosofia na montanha
russa do prazer inefável do subterrâneo das palavras, nos bastidores das
metáforas e metonímias! Vertigem abissal da semiótica em delírio metapoético.
Eu também vivi o tempo da
ditadura; difícil dar aula de literatura!
Tromba d’água, Poemance na
voz do outro grande Paulo, o Sergio Viana.
Dançando com as palavras a música
da epifania: imanência e transcendência;
reverência ao Sagrado Templo-Corpo. Poesia cósmica apesar
da tortura.
Om! Namaste, Aurora interior! Apertou a tecla print do seu ser.
Borboleta encantada: Dorvalino
somos todos nós!
CORAGEM
Amanhã cedo farei nova cirurgia para retirada de um torturante parafuso
dentro dos ossos do ombro direito.
Vou atravessar meu Rubicão de dor.
Alea jacta est !
KURAĜO
Morgaŭ frumatene mi submetiĝos al nova kirurgio por ke oni forigu
turmentan ŝraŭbon ene de ostoj de l' dekstra ŝultro.
Mi transiros mian Rubikonon el doloro.
Alea jacta est !
Maria Nazaré Laroca
Juiz de Fora, 09/07/2021.
Brazilo
Orvalho
Ontem, sob uma tempestade de dor, dormi e sonhei que era menina, no sítio do meu tio Antenor, que me encantava com sua sabedoria tão natural como a terra que cultivava. E ele me ensinava a ver e a amar a beleza das coisas simples, dizendo com doçura:
- Nada é mais belo do
que uma gota de orvalho numa folha de taioba.
Diamante líquido, penso
agora.
Hoje a dor não acordou
comigo.
Roso
Hieraŭ, sub tempesto da doloro, mi ekdormis, kaj sonĝis, ke mi estas knabino, en la bieno de mia onklo Antenor, kiu sorĉis min per sia saĝo tiel natura, kiel la tero, kiun li kultivis. Kaj li instruis min vidi kaj ami la belecon de simplaj aferoj, mildkore dirante:
- Nenio estas pli bela
ol guto da roso sur ksantosoma folio.
Likva diamanto, nun mi
ekpensas.
Hodiaŭ la doloro ne
vekiĝis kun mi.
Maria
Nazaré Laroca
Juiz de Fora, 10/06/2021.
Brazilo
Ouvindo Schubert agora,
“Piano trio”, um e dois,
no meu quarto em Juiz de Fora,
lembrei-me que você se foi
neste maio congelado,
e senti muita saudade!
Ah, Suely, como eu queria
compor uma sinfonia
para falar de você
só um pouquinho dessa vez!
Porque meu poema é pobre
para espelhar sua luz,
tecida de amor e obras
a serviço de Jesus.
Sei que prossegue com o lema:
“Ama, trabalha, espera, perdoa”,
pois seu voo é ascensional...
Mas agora é tempo de festa:
sorva a taça da alegria
com seus Amigos no Céu!
Maria Nazaré Laroca
Juiz de Fora, 15/05/2021.